Ao passar deste ano inteiro já estarei com quase os vinte e três da minha vida única. De certa forma irrelevante, mas extremamente preciosa pra mim quando em uma manhã qualquer irei ao aeroporto e escolherei onde irei passar umas semanas. Onde eu quiser, a minha escolha fruto da vontade de ampliar a consciência física e sensorial. Minha cercania tem a mais bela geografia que eu conheço porque penso na geografia dessa cercania pelas personalidades que habitam em uma empatia sem tempo ou lugar. O resto é boa curiosidade e vontade de estender a geografia em toda uma rede de pessoas que se entendem e sentem empatia umas pelas outras.
O meu medo de quase nada (estado atual) chega a me assustar. E mesmo com tanta vontade, sei que escrever é uma pequena atividade perto da amplitude vida que amo tanto. Ter muita vida chega a doer, mas mesmo assim é bom porque uma hora chega a paz e com ela o autocontrole, a apreciação do fenômeno. Teria vida pra dar, me orgulho disso. Tenho conhecimento que a dor de não ter essa vida é igualmente grandiosa; mas Dor passa e Vida fica porque é mais forte que tudo, mais forte até mesmo que o nada, tanto que rompeu essa coisa chata e criou parques e criançinhas correndo. Criou situações que me fizeram admirar os seus moldes em um domingo tranqüilo, desencadeando existência na boca. Trouxe situações que me fizeram desejá-la. Sim, desejá-la.
A vida cada vez mais me prende e se dispõe. Fértil, semeando tudo o que existe com um belo sorriso que não posso ver, só o sinto no peito, me entrelaça com as suas pernas e me põe na boca um beijo que me enche de febre, me enche de luz e desejo intenso por ela. Pela vida, a cada dia mais, assumindo a minha fraqueza tal como um garoto que lacrimeja no colo da mulher me fazendo querê-la até o fim, intensamente. No claro, na luz. Enquanto houver forças para resistir acordado e confirmar como a desejo.
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