sábado, setembro 25, 2004

Eu - o criador.

É da penumbra que observo sua tez, minha admiração sem medidas traz o anseio de te dar a vida. Anseio teu corpo sem consciência que tem vida própria, mas que não minha. Se mexe, se acomoda e me fascina. É da penumbra que toco sua tez em trajetória breve e devolvo a vida como se não a tivera antes. Com a polpa de um dedo apenas sobre sua tez que se revela.

Fosse eu o Deus solitário em um mundo sem flores e tu aquela que moldei em minha mente de forma atemporal e espacial. Eu há muito sozinho. Não houve sol, e quando interrompo o toque vejo seu despertar junto com a nesga de luz que se esguia fresta adentro. Só posso ver e sentir a curiosidade de lhe dar a vida para sentir como é a morte, com o acalento de saber que renascerá, sempre, de novo e ainda mais bela. Feminino, longilíneo e atraente. O teu corpo que abre me os olhos, eu julgava tê-lo à minha mercê. Ledo engano.

Sou ciente que nada crio, apenas simulo e imagino. Humano, lúbrico, calculista e, ainda assim te amando aguardaria pelo seu despertar por eras a fio, ainda que a luz do sol deixasse de se mostrar pela fresta de nossa janela, mesmo que não haja mais luz ou alma viva no mundo. Ontem esperei pelo sol e nem adormeci para esperar por este instante. Acordei no escuro e solitário espaço e sempre a via, linda e adormecida. Não poderia mesmo ser Deus – dois segundos ao seu lado, a luz do sol refletida à sua tez para eu ficar estático e sem saber como me comportar, apenas te olhar. Quem sabe mesmo os maiores dos Deuses sejam assim também, talvez.

E o mais incrível é que não és mais carne agora: eu sou. O processo tomou rumo contrário e me sinto feliz, pois não sou rejeitado, como quem TUDO criou. Parei de apenas ter o anseio de criar para querer desejar um sentido, algo que não a solidão, sem sol, luz pela janela e sem teu corpo. Passei a ser intensamente humano ao te admirar despertando, sonolenta, linda com sorriso claro, se reerguendo nua sob o sol que não era mais nesga de luz. Eu, causador de tudo, peço, por favor, esteja comigo presente e ausente, acalentando o meu pesar e o anseio de te amar.


Semana produtiva, 3 posts - 4 processos seletivos. A farra acabou, volto ao trabalho.

quarta-feira, setembro 22, 2004

Quando não se calam as vozes.

Década de 1980 para os brasileiros: a crise da dívida externa, dependência nos capitais financeiros internacionais, população vivendo em meio à inflação, violência e ditadura. É nesse cenário que nasce o rock brasileiro, propriamente dito, com bandas como Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Titãs, Barão Vermelho e etc.

Estimulados pelo fim da ditadura, esses grupos explodiram no cenário musical nacional com músicas provocantes e de contestação podendo assim; Fazer um desabafo sobre tudo o que viveram nos últimos anos, mas que não podiam expressar devido à ditadura.

Criticando da própria juventude aos políticos brasileiros essas bandas fizeram sucesso ao relatar a verdade nua e crua do país. Músicas como "Geração Coca-Cola" da Legião Urbana retratam a revolta da juventude diante da influência norte americana sobre o Brasil, dos enlatados da televisão até ao refrigerante consumido por 9 entre 10 adolescentes. Ainda citando a Legião Urbana, músicas como "Faroeste Cabloco" e "Que país é este?" tinham um conteúdo mais político em suas letras, com questionamentos e críticas sobre a política do país Renato Russo, chega ao ponto de comparar a sujeira do senado brasileiro à das favelas, usando sempre frases conotativas que eram junto com as metáforas as grandes marcas das músicas de protesto. A miséria e o trabalho infantil que em algumas situações chegava a ser responsável pelo sustento de uma família inteira foi tema de uma das músicas dos Titãs. Em "Marvin" o grupo narra a vida de um garoto que perde o pai ainda pequeno e se torna o responsável pelo sustento de toda sua família, fato este que não era nada incomum no final da década de 1980 e começo dos anos 90 e, que infelizmente continua sendo até hoje. O trabalho infantil continua a atingir números alarmantes, principalmente nas lavouras pelo interior do país.

Chegando aos anos 90, mais uma música de protesto chega ao topo das paradas: "Luís Inácio e os 300 Picaretas", dos Paralamas do Sucesso torna-se uma das músicas de maior impacto ao retratar a situação política no país. O disco lançado um ano antes do impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello causou polêmica e provocou muita discussão, porém algum tempo depois a música "Luís Inácio e os 300 Picaretas" provou não ser apenas um texto com alusões partidárias de uma banda brasileira. A declaração de Luís Inácio Lula da Silva de que havia 300 Picaretas com anel de doutor no comando do país, em uma alusão aos senadores, deputados federais e estaduais e demais políticos, causou indignação nos seus colegas e trouxe inspiração à Herbert Vianna para escrever uma música falando sobre o momento político do país e mais especificamente sobre Brasília, capital federal, onde se tem leis próprias, como diz o compositor. Na música ainda são citadas situações corriqueiras como o voto de cabresto que sempre acontece durante as eleições e o e s c â n d a l o do Plebiscito de 1992 com referência aos deputados Humberto Lucena, Genebaldo Correia e João Alves.

Em meio a crises e revoltas, este era o panorama do país pelos olhos de uma juventude que teve sua voz abafada e que agora extravasava sua angústia, lutando através de suas únicas armas, as músicas, por justiça, igualdade social e pela liberdade socioeconômica e cultural do país.


Texto para um trabalho da facu.

sábado, setembro 18, 2004

Blind me

Às 09:00, 09:30, 10:00? Já não sabia ao certo o horário exato. Terno, gravata e sapato lhe diziam alguma coisa, porém não o faziam lembrar do appointment. Já não fazia questão de lembrar, seja o que for, perdera a importância. O que realmente lhe irritava e instigava sua ira, era aquele carro de som que não cessava - algum candidato a vereador ou prefeito, é o mais provável . Sua cabeça explodiria se continuasse a receber tais ondas sonoras.

Agora, me pergunte se havia coragem para que levantasse e ordenasse três passos as suas pernas em direção a janela. Houve. Levantou e caminhou. O sol, quando bateu em seus olhos, queimou como queimam as labaredas mais flamejantes. Os raios de sol transpassaram suas retinas como lâminas em brasa. Apesar do sol um vento gelado soprava e em alguns segundos ele já estava de volta para cama, poucos passos que pareciam muitos, mesmo se tratando de um cômodo pequeno, mas que na noite anterior parecia uma mansão.

Ela havia estado ali! Esteve comigo entre panos e suor. Beijei-lhe a nuca como a muito não fazia. Já não sentia mais sono, a dor que era imensa se tornou suportável, a luz do sol já não agredia, nessa hora girou seu corpo e fitou o cômodo. Tinha um sutiã no chão. Rindo o mais sarcástico dos risos, tentou lembrar de cada segundo, puxou o edredon e pensou em voltar a dormir. Quando imaginava cochilar sentiu seu braço formigar, algo pesava sobre ele. Abriu os olhos, dessa vez de verdade e, não durante o sonho como havia feito anteriormente. Os cabelos lhe cobriam a nuca parcialmente, deixando visível a figura que lhe sorria como ele mesmo sorrira algumas horas antes, a mão de unhas finamente pintadas de negro buscava a sua mão e lhe apertava trazendo mais recordações. Ela ainda estava ali.

Sorriu e, acreditou durante o tempo em que dormia em uma felicidade que deitava-se ao seu lado com a cabeça aninhada em seu ombro. A situação inusitada fortalecia ainda mais o seu sentimento por ela, não falo da libido, falo de um amor especial, algo que poucas pessoas compreenderiam e muito menos pessoas entenderiam. Eles entendiam, era suficiente.

Não terá experimentado uma verdadeira noite de amor, àquele que não tiver sido acordado por cócegas no nariz, causadas pelos cabelos embaraçados de alguém especial que repousa em seus ombros.

segunda-feira, setembro 06, 2004

Ma-ma-"maicrosoft"

Pois é, como havia dito no post anterior. Estou com grandes dificuldades em colocar o layout desejado nesse blog, qualquer moleque de 12 anos poderia sentar do meu lado e me dar um show de como colocar um template novo no meu blog e, isso me fez pensar no primeiro post de verdade, meu primeiro texto para o meu primeiro blog.

Como todos sabem, essa coisa de blog virou mania, principalmente entre os adolescentes que hoje em dia abandonaram os diários de papel e passaram a expressar suas emoções e relatar o seu cotidiano nesses endereços eletrônicos. Hoje em dia não existe mais o perigo das mães encontrarem o diário da filha e, sim que elas descubram o endereço do blog delas.

Aliás, se pensarmos bem, não foi só isso que mudou.

Hoje em dia mantemos contato com nossos amigos via MSN, ICQ, E-mail e o fenômeno mais recente Orkut. Estamos perdendo o costume de falar com os amigos até mesmo para combinarmos um almoço. Hoje em dia o que a maioria das pessoas faz, é escrever um e-mail perguntando se seu colega de trabalho vai almoçar com você, então essa pessoa te responde que daqui 10 minutos estará livre. Passados 10 minutos você levanta, caminha uns 4,5 metros (ou três baias de escritório) e fala para o seu amigo, o mesmo do e-mail: " Vamos! passaram 10 minutos e eu estou com fome!".

Os celulares hoje em dia tem capacidade para armazenar mais números de telefone do que aquela cadernetinha que você tinha há algum tempo atrás. A razão disso? Pense e responda rápido: Quantos telefones você tem para se comunicar com todas as pessoas que moram na sua casa? No mínimo de 2 à 3 números de telefones diferentes. Em uma família com 5 pessoas (média brasileira) isso já dá aproximadamente 15 números diferentes. Você lembra de todos de cabeça?

Outra pergunta: Quanto custa um envelope e um selo para cartas? Mais uma: Quando foi a última vez que você escreveu uma carta?

É cada vez mais rara a figura do amigo(a) que é considerado um(a) grande piadista. Hoje em dia temos aquela pessoa que sempre nos manda e-mail com piadas que lemos e rimos, na maioria da vezes sozinhos, parecendo uns loucos na frente do computador.

Uma pessoa organizada é aquela que tem aviso de compromisso no PC, dois minutos depois toca o celular com o mesmo lembrete e, logo em seguida o seu Palmtop completa a sinfonia eletrônica e em alguns casos vibratória(você pode estar no meio de uma reunião que o seu celular vai te lembrar, fique tranquilo!) para avisar que algo não pode ser esquecido.

Isso pode até parecer paranóia, mas é mais uma questão de hábito, ou de repente a teoria da evolução de Darwin adaptada ao novo milênio. Estamos nos adaptando aos novos requisitos do mundo e, com isso criando outros hábitos e manias. Fala que você leitor nunca apertou zero antes de fazer uma ligação na sua casa?

Talvez uma das maiores constatações dessa nossa dependência tecnológica aconteça quando nosso querido e estimado PC simplesmente pára de funcionar. O sentimento é que algo além de um monte de placas e chips parou de funcionar, em alguns casos mais terminais, o sentimento é de que o próprio cérebro e coração estão em colapso, como se seus orgãos vitais estivessem ligado em rede com o sistema da empresa.

É isso aí leitores, estejam preparados para o dia em que seus filhos e netos te perguntarem o que é um diário, um papel de carta, um envelope... Assim como a maioria de nós nunca vivenciamos a experiência de utilizar a caneta tinteiro e o mata-borrão dos nossos pais.

E por favor, entendam e não fiquem chocados demais, procurando terapia quando seu bebê estiver balbuciando as primeiras palavras e não disser Papai ou Mamãe e, sim:

- "Ma-ma-Maicrosoft".

Isso dava uma campanha institucional para Microsoft.

Devia ter estudado Web-Design!

Estou aqui levando uma verdadeira surra desse blogger. Tudo isso porque pretendo colocar um layout decente nesse blog. Sou um estudante do 3º ano de Publicidade e sei que esse visual é mediocre.

Estou enfrentando um pequeno-grande problema, não manjo absolutamente nada de Web-design. Deveria ter estudado isso, ou pelo menos manjar o suficiente para poder publicar o layout que eu pensei quando da criação desse blog.

Ando vasculhando a web atrás de tutoriais que me mostrem o caminho das pedras, para que em breve consiga colocar no ar o visual desejado, uma coisa simples, porém mais personalizada do que esse template disponibilizado no Blogger.

Encarar esse problema me faz pensar no primeiro Post de verdade... Escrevê-lo-ei e postá-lo-ei daqui alguns minutos!

Os "blóblóblós" iniciais...

Finalmente começo a publicar algumas palavras pela Web. Desde já aviso que esse Blog não tem prazo de validade, ou seja, pode ser que dure anos, como também pode entrar em estado de putrefação daqui alguns dias.

Não vou divulgar esse endereço por aí e nem peço para que os leitores que aqui apareçam o façam, mas também não proibo ninguém de recomendar para algum amigo. Só garanto que não terão pedidos para que coloquem links para o meu blog nos sites, blogs e fotoblogs de vocês.

Com a maior regularidade possível, colocarei aqui alguns textos de minha autoria, sejam eles sobre publicidade, marketing, contos, ou o desabafo do dia.

Sou um redator esforçado, nada fora do comum. Não esperem encontrar aqui as palavras da sua vida, mas também garanto que não desperdiçarei o tempo de vocês com qualquer bobagem, vou fazer o máximo para garantir que vocês passem minutos ou horas agradáveis nesse sítio.

Aproveitem a estadia!