terça-feira, outubro 12, 2004

There Goes My HeroES

Feriadão, quatro dias de descanso, dia de Nossa Senhora Aparecida, dia das Crianças.

Em pleno feriado onde se comemora o Dia das Crianças, milhões de "crianças crescidas" perderam um ícone da sua infância. Domingo, 10 de Outubro de 2004 - Morre Christopher Reeve - Morre o Super-Homem. O verdadeiro Super-Homem. Desde 1978 quando foi lançado nos cinemas a adaptação dos quadrinhos do homem de aço, o mundo se acostumou a ter uma imagem do Super-Homem e do Clark Kent, os quadrinhos ganharam forma, houve a personificação do herói de milhões de pequenos sonhadores.

Mesmo com o fim da série não conheço uma pessoa que deixou de associar a imagem de Christopher Reeve com o Super-Homem, talvez não soubessem quem era Christopher Reeve, mas no mesmo momento em que seu personagem era citado, a imagem já era projetada no inconsciente de todos. Reeve não havia deixado de ser o Superman. A maior prova disso veio em 1995, quando durante uma competição de equitação o ator sofreu uma queda e ficou tetraplégico. Começou então uma saga digna dos Super Heróis. Reeve foi um grande exemplo de luta para os deficientes físicos, lutou como poucos pela pesquisa de reabilitação à partir de Células Tronco, publicou livros sobre sua vida após o acidente, sobre a vida anterior ao fatídico dia, encorajando não só os deficientes físicos, mas como as pessoas em geral a superarem as dificuldades impostas pela vida.

Hoje já não tenho tanta certeza de qual foi mesmo o Super-Homem, se o Christopher Reeve de colam azul e cueca vermelha sobre a calça (?) ou se o homem sentado em uma cadeira de rodas. A única certeza é de que para sempre teremos a imagem desse Super-Homem gravada em nossas mentes, intocável e inabalável, pois nem tetraplégico e nem morto Christopher Reeve deixou de ser o Homem de Aço. Hoje ele se junta a Ayrton Senna na minha galeria pessoal de heróis sepultados, meu Panteão particular, assim como na Roma Antiga, está envolto em brumas pela chegada de mais um Herói.

- Para o alto e avante! - Para o céu e o descanso.

- Outra nota triste -

11 de Outubro
- O câncer vence o homem que queria ser menino, mas que lutava como um bravo soldado que outrora foi. Morreu Fernando Sabino, escrito mineiro de textos fáceis, literatura do cotidiano, daquelas que nos identificamos enquanto lemos. Autor de grandes obras como: "O Encontro Marcado", "A Mulher do Vizinho", "O Homem Nú", "O Grande Mentecapto" e "Faca de Dois Gumes", entre outros.

Não posso dizer que sou um profundo conhecedor de sua obra, mas pelo menos as supracitadas foram deleitadas por este que vos escreve. Uma sugestão: Leiam os livros, não assistam as adaptações para o cinema, a película tirou a riquesa dos detalhes das cenas cotidianas e privou as pessoas de utilizar a imaginação, coisa das mais gostosas durante as leituras desses livros.

Espero que ele tenha re-encontrado a Gurilandia e voltado a ser menino, que era quase uma obsessão do autor, citada em várias passagens dos seus livros e entrevistas, uma delas foi essa:

"Quando eu era menino, os mais velhos perguntavam: o que você quer ser quando crescer? Hoje não perguntam mais. Se perguntassem, eu diria que quero ser menino".

Uma outra situação em que ele manifestou seu desejo de ser menino foi há pouco tempo, quando o menino já deveria imaginar que não venceria o Câncer nesse pega-pega pela vida. Para seu epitáfio, escreveu:

"Aqui jaz Fernando Sabino, que nasceu homem e morreu menino".

Se ele realmente encontrou o seu amigo Vinícius de Moraes para rabiscar algumas entrelinhas, como era do seu desejo, com certeza a essas horas já existem palavras desconexas conectadas com maestria dando corpo a textos sem igual que só podemos imaginar.

- Mais uma - (É melhor esse feriado acabar logo)

Um assalto + dois tiros - uma vida. Morreu o sertanista Apoena Meireles, filho do também sertanista Chico Meireles, ambos desbravadores da região Norte do Brasil, estudantes dos índios. Apoena não era índio, mas foi velado com todas as honras de chefe indígena, seus trabalhos, estudos e lutas pela causa indígena o tornou um deles, foi aceito de coração, índio não precisa naturalizar ninguém para dizer que é parte do seu povo, índio não precisa assinar e carimbar papéis para oficializar o reconhecimento dos feitos de uma pessoa.

Apoena era simples como eles, viveu boa parte da sua vida com eles, e como era do seu desejo, morreu perto deles, conseguiu criar um paralelo entre sua vida urbana e sua vida indígena, conseguiu o diploma, criou uma família, deu diploma para os filhos, mas nunca abandonou as Ocas. Segundo os Caciques e Pajés, isso se dá pela divisão do espírito de pessoas elevadas. E ele o era desde pequeno, sempre lutando pela causa indígena, vislumbrando uma igualdade que não existe, talvez um dia exista se eles(os índios) resistirem e, então talvez fique comprovado que APOENA era "Aquele que enxerga longe" , como diz o seu nome proveniente do Tupi.

Não sou estudante do indianismo, porém morei no Amazonas por 3 anos e meio e aprendi a respeitar essa cultura. Lá não tem índio de cocar e arco e flecha no meio da rua, a primeira lição para aprender a respeitá-los.

Apoena Meireles, Thiago de Melo, algumas pessoas do norte do Brasil que deveriam ter recebido um reconhecimento maior por parte do sudeste do nosso país. Não foi só Chico Mendes que brigou por uma causa Nortista Brasileira.

Christopher Reeve, Fernando Sabino, Apoena Meireles - Espero que São Pedro já esteja contente com as novas companhias.

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