Tereza ganhou corpo fora da Luz. Isso acontece quando há desequilíbrio, e naquela ocasião o desequilíbrio era grave: uma parte da Luz se fez tão bela que se apaixonou por si mesma, como se fosse luz própria e não derivada, como se tivesse mais conhecimento; o que não era verdade. Mesmo assim, arrastou outras porções de luz corrompidas junto a ela e transformou o seu amor equivocado em raiva do que fosse mais amado, em ódio do que fosse mais puro. Alienadas, todas as simulações de consciências que não mais distinguiam o feio do belo, a mentira da verdade. Demônios. O negativo que por força natural foi expulso da Luz.
Quem está cego em si mesmo não se contenta, não se satisfaz e sente uma solidão infinita, uma incompletude constante. Depois de tempos sem tempo a legião quis subir aos céus novamente, quis ser novamente incorporada para aliviar a dor e foi novamente repelida. A repetição da rejeição virou fúria cega, loucura, tentativa de destruição de tudo o que existe para assim tentar aplacar a dor infinita; e com proporção à Luz reagiu da mesma forma: Tereza ganhou corpo fora da Luz.
E quando ela ganhou corpo uma Legião se ergueu junto a ela para repelir o podre e o negativo lutando em um tempo sem tempo. Cada uma das porções rebeldes e corrompidas caiu novamente e ocupou o que antes era um conceito em formação, algo estranhamente palpável e que estimulava sentidos que antes não existiam. No novo havia fogo, havia água, havia toda uma nova realidade a ser conquistada e apodrecida quando o que era conceito e vibração passasse a ser vida independente, matéria absurdamente privilegiada por uma liberdade que era futura mas que já era visível.
Quando Tereza ganhou corpo fora da Luz novamente, já havia a queda e já existia a Terra; e nela uma infinidade de demônios esperando pelo primeiro homem, pela primeira criatura realmente livre. Dessa vez Tereza veio sozinho porque conhecia a causa individual, e quando desceu dos céus nenhum dos caídos que se flagelavam e confundiam dor e prazer ousou olhar para ele, a não ser um, o que antes estava mais próximo a Luz que Tereza e que agora era o oposto mais forte. O caído fez chuva e se embateu com Tereza em um céu onde já havia luz e já havia sombra, onde já havia raios e uma aurora morta. Quando ele olhava Tereza, via o oposto da treva que era: algo grotesco perto da forma do homem que ainda não existia. Tereza ainda era corpo de luz fora da Luz, mas aos olhos opositores era forte e serena, era pura e era bela.
Ele queria destruir Tereza, queria derrubá-la e voltar sozinho à Luz, queria destroçá-la e ser novamente aceito. Queria destruir o que existia, e pensava outros tantos pensamentos contraditórios de amor e ódio que não percebeu que subia e subia para longe. Alienado, como se o céu fosse o acima e não um estado e a terra fosse o seu reino. Tanto que sentiu dúvida quanto à subida e ousou olhar novamente para baixo. Foi quando Tereza, luz que observava o combate da dúvida, fez uso da força de que era feita e desceu e desceu em uma velocidade sem fim com o que estava corrompido preso pelas asas negras que ele mesmo imaginou nas suas costas imaginadas. Depois de uma queda imensa, houve o choque e um estrondo que fez com que todos os outros caídos se desesperassem e chorassem de medo e incerteza.
Tereza cravou o inimigo terra adentro, até o centro, e ele se dispersou em energia pela Terra. Quando retornou à superfície, Tereza viu que os outros também haviam sido desfeitos e dispersos, refugiados na covardia oculta do negativo. Então ele soube que o que ainda não havia nascido poderia escolher o seu lado e que, apesar da inutilidade e da falência inevitável do negativo, tudo passou novamente a constituir uma forma simples de equilíbrio. E quando há equilíbrio Tereza se dispersa e é, apenas.
- Data –
Dia 01 de Outubro – Dia de Santa Tereza do Menino Jesus – Aniversário de uma Amiga Relevante.
Fernanda – É ex-colega de trabalho, colega de profissão, outra insana que escolheu as pedras da publicidade para pavimentar sua estrada do futuro em detrimento da estrada de tijolos amarelos. Sábia foi Alice. Tolos somos nós? Creio que não. Somewhere over the rainbow... estará o nosso caminho para uma estrada do futuro que será digna de biografia, tal qual a Estrada do Futuro do Tio Bill. Sermos iguais a ele? Não queremos isso, já somos melhores! Ela usa "fundos de garrafa" meus olhos são rasgados, "porque o mundo que enxergamos é diferente" e nesse mundo, pode ter certeza que somos muito melhores. Os cifrões são pequenos detalhes. IN RED - APUD FERNANDA SERRANO DE ALMEIDA
Não gosto de conhecer gente à toa, mas quando conheço e prezo, a coisa é clara e real. Meus amigos são um núcleo constante que vez ou outra incorpora outro de igual relevância, sem tempo e sem centro. O pequeno grupo sempre foi e sempre será assim até o fim; independente do tamanho.
Um também é o nome de um álbum da Legião Urbana. Estou cada dia mais vivo, para dizer a verdade; e me orgulho de não ter como costume perder uma amizade, porque amizades verdadeiras não se perdem. A minha percepção da realidade me assusta de tão boa. Tenho dito.
Um, Santa Tereza, Amigos, Legião. Palavras interligadas por significados e com pessoas e situações paralelas que tornam a minha vida interessante enquanto existe. Pensar em mim mesmo em daqui UM ano UM(A) década traz-me o bom frio do desconhecido. Gosto disso.
Um comentário:
Caralho!
Eu queria escrever um monte de coisas, mas... que droga; é como aquele ensaio que as meninas (será que os meninos tb?) fazem antes de falar uma coisa importante pra alguém importante. E aí, na hora, dá aquele braaaaaaaanco mais branco que Omo (não o Omo Cores, porque se fosse este, com certeza minha mente seria capaz de articular palavras coloridas e, consequentemente, muito mais interessantes que estas)
Jãozinho, eu tenho certeza que nós seremos sim vencedores nesta longa estrada da vida de publicitários frustrados, e não porque um dia teremos a conta de Tio Bill, mas sim por que estaremos fazendo algo que gostamos e batalhamos para que acontecesse (e também porque nunca seremos do seleto grupo de amigos de Tio Bill, e sim da turma de Kill Bill...)
E tenho certeza que sou muito feliz por ter amigos como vc: inteligente, sensível, fofo, e outras coisas que amigos como vc são.
Ó, sei que o que eu escrever aqui não vai mostrar o quanto fiquei feliz por saber que sou uma amiga relevante, e o quanto fiquei me achando pelo que vc escreveu. Mas, se o que vale é a intenção, fica aqui meu muito obrigada por vc estar sempre aí. E por escrever coisas lindas.
Um beijo da Fê para o Jão (ah, Jão não dá pra escrever com aquele sotaque que eu góóóóshto de chamar seu nome...)
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