Estimulados pelo fim da ditadura, esses grupos explodiram no cenário musical nacional com músicas provocantes e de contestação podendo assim; Fazer um desabafo sobre tudo o que viveram nos últimos anos, mas que não podiam expressar devido à ditadura.
Criticando da própria juventude aos políticos brasileiros essas bandas fizeram sucesso ao relatar a verdade nua e crua do país. Músicas como "Geração Coca-Cola" da Legião Urbana retratam a revolta da juventude diante da influência norte americana sobre o Brasil, dos enlatados da televisão até ao refrigerante consumido por 9 entre 10 adolescentes. Ainda citando a Legião Urbana, músicas como "Faroeste Cabloco" e "Que país é este?" tinham um conteúdo mais político em suas letras, com questionamentos e críticas sobre a política do país Renato Russo, chega ao ponto de comparar a sujeira do senado brasileiro à das favelas, usando sempre frases conotativas que eram junto com as metáforas as grandes marcas das músicas de protesto. A miséria e o trabalho infantil que em algumas situações chegava a ser responsável pelo sustento de uma família inteira foi tema de uma das músicas dos Titãs. Em "Marvin" o grupo narra a vida de um garoto que perde o pai ainda pequeno e se torna o responsável pelo sustento de toda sua família, fato este que não era nada incomum no final da década de 1980 e começo dos anos 90 e, que infelizmente continua sendo até hoje. O trabalho infantil continua a atingir números alarmantes, principalmente nas lavouras pelo interior do país.
Chegando aos anos 90, mais uma música de protesto chega ao topo das paradas: "Luís Inácio e os 300 Picaretas", dos Paralamas do Sucesso torna-se uma das músicas de maior impacto ao retratar a situação política no país. O disco lançado um ano antes do impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello causou polêmica e provocou muita discussão, porém algum tempo depois a música "Luís Inácio e os 300 Picaretas" provou não ser apenas um texto com alusões partidárias de uma banda brasileira. A declaração de Luís Inácio Lula da Silva de que havia 300 Picaretas com anel de doutor no comando do país, em uma alusão aos senadores, deputados federais e estaduais e demais políticos, causou indignação nos seus colegas e trouxe inspiração à Herbert Vianna para escrever uma música falando sobre o momento político do país e mais especificamente sobre Brasília, capital federal, onde se tem leis próprias, como diz o compositor. Na música ainda são citadas situações corriqueiras como o voto de cabresto que sempre acontece durante as eleições e o e s c â n d a l o do Plebiscito de 1992 com referência aos deputados Humberto Lucena, Genebaldo Correia e João Alves.
Em meio a crises e revoltas, este era o panorama do país pelos olhos de uma juventude que teve sua voz abafada e que agora extravasava sua angústia, lutando através de suas únicas armas, as músicas, por justiça, igualdade social e pela liberdade socioeconômica e cultural do país.
Texto para um trabalho da facu.
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